sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Carrossel



Gira carrossel de minha infância,
Gira no tempo que se perdeu,
Gira nas noites juninas,
Gira nas festas natalinas dos velhos parques de diversões,
Gira cheio de magia, indiferente à passagem do tempo,
Gira colorido, iluminado, velha fábrica de sonhos
Que se desfizeram ao som de marchas fúnebres.
Meu Deus, minha infância perdida! . . .
Os cavalinhos subiam e desciam
Enquanto o carrossel dava voltas,
Embalando a fantasia da criançada feliz e indiferente
À destruição de todos os nossos castelos de sonhos . . .
Evoco essas lembranças e vejo o parque de diversões,
O carrossel, os cavalinhos, as crianças -
Meu Deus, e eu sendo uma delas . . . -
Girando, girando num afastamento saudoso, longínquo
Para as terras do nunca-mais . . .
Minha alegria foi-se com minha infância perdida . . .
Quem fui extraviou-se no desenrolar do novelo da vida . . .
Quem sou desconhece-me.
Carrego comigo um baú cheio de ilusões caducas;
O sótão de minha alma reclama uma arrumação:
Fazer uma fogueira dos desenganos, dos dissabores,
Das decepções, dos amores malogrados,
E jogar as cinzas dos propósitos mortos
Na púrpura do ocaso, à beira-mar . . .

Oliveira

2 comentários:

fabiano disse...

também tenho saudade da época de criança.. acho que todos tem

uma vez ouvi dizer que as crianças sabem tudo e depois vão esquecendo as coisas

se pensarmos bem veremos que somente as crianças são livres e realmente felizes, certamente esquecemos algumas coisas simples que fazem a vida ser bem melhor do que ela é agora

Maria Flor! disse...

Quem não tem saudades de sua infância querida?
Belissíma poesia, onde você retrata a infância perdida em tempos idos.

Receba meus aplausos.

Beijos