domingo, 13 de janeiro de 2008

Acalanto



Este balanço incessante das ondas
Abranda-me o sofrimento,
Acalanta a lembrança da criança feliz
Que dormia embalada pelas canções de ninar
Nas noites longas e frias,
No velho casarão da quinta.
Quão distante aquela felicidade
Salpicada com as cores da ingenuidade,
E quão viva a sensação de aconchego
Que essa evocação me transmite.
Hoje, restam-me escombros de quem fui,
Desmoronamentos das horas absurdas,
Esquálidas sombras de crepúsculos
Esvaindo-se em cinzas de propósitos caducos,
Coaxar de rãs em charcos de desesperança,
Girassóis de olhos pasmos
Nos jardins de meu palácio
Saqueado pelo exército inimigo.

Oliveira

Um comentário:

Maria Flor! disse...

Sonhos saqueados, ternura, e a dor de ver que o tempo passou e nos deixou assim cara a cara com o nosso inimigo: o próprio tempo!
Lindissíma!

Beijos