domingo, 13 de janeiro de 2008

Dilacerado


Meu coração dilacerado pelas recordações
É um ocaso ensangüentado,
Esvaindo-se em angústias depostas,
Em desejos malogrados,
Em saudades atormentadas por gestos inúteis.
A tristeza atravessa em diagonal,
Com pompas de rainha destronada,
O universo de minhas recordações,
Com seu manto cinzento e obscurece,
Põe brumas em meu horizonte.
Oh, saudade, por que te vestes com pompas de rainha,
Se te despojaram do cetro e da coroa?
Oh, taça transbordante de bebida amarga,
Lampejo de falsas alegrias,
Torpor escarlate de lua-cheia nas noites de abril!
Ah, o ópio de ser qualquer coisa para além
Da silhueta de montanhas azuladas ao sul de tudo!
Ah, gotejar sonolento das horas
Costurando o manto esgarçado do tempo! . . .

Oliveira

Um comentário:

Maria Flor! disse...

A saudade é uma brecha!
Aqui eu diria bela sua poesia - bela - belancólica!
Gosto do teu ritmo também saudoso.

Beijos